Brasil 2050 - Sempre há um recomeço - Capítulo III


CAPÍTULO III

OS DIAS SE PASSAM, E NA CÂMARA DOS DEPUTADOS chega o dia que muitos membros dos partidos oposicionistas ao governo Dilma tanto esperavam, almejavam avidamente por meses, desde que foi protocolado o pedido de impeachment da presidenta democraticamente eleita.  
            É o dia de votar se acatam ou não o pedido de afastamento da primeira presidenta do Brasil. As horas se passam e o que a população assistem pela tela das televisões abertas do país é “Sim”, “Não”, “Em nome do meu filho, esposa, mãe, pai, cunhado, cunhada, vó, vô, cachorro, periquito, casa de praia, viagem ao exterior, etc. e tal, ou seja, em nome do meu bem-estar de luxo, voto SIM”. Assim foi horas a fio. Não se ouvia nenhum político votando SIM em nome do povo, quase todos olharam para o próprio umbigo. Dane-se o povo! Dane-se classe C, D, E e tal! Dane-se todo mundo! O que importa mesmo é o meu EU...
            Não dava para esperar muito desses seres, não é mesmo? Então... pois, bem!
            A votação segue até altas horas. Os atritos entre os adversários exalam pelo ambiente. Rola cuspida, xingamento, ato homofóbico, preconceito de classe, e o inesperado, adoração a um ditador do golpe militar. Ou seja, o circo de lona erguida e os “palhaços” no picadeiro. Ou seria o povo o maior palhaço dessa história toda?
            Até que se chega o último político, é bom ressaltar que este tem rabo preço por corrupção, mas “tá valendo”, não poderia ser diferente. É o último SIM para comemoração de muitos ou de poucos, para a decepção de poucos ou de muitos.
            É confirmado, na Câmara dos deputados, o prosseguimento do processo de impeachment da presidenta do Brasil Dilma Rousseff por 367 votos favoráveis às 23h47 do domingo, 17 de abril de 2016. Por conseguinte, este veio ser aprovado no Senado. A presidenta Dilma perde, então, o seu mandato por 61 votos favoráveis, mas os senadores rejeitam pena de inabilitação da petista para funções públicas. A quarta-feira, 31 de agosto de 2016, decreta o fim da Era Petista e dá-se início ao governo, para tantos, ilegítimo, do ex-vice e agora presidente Michel Temer.
            Com o poder nas mãos, vem também os xingamentos on-line e os protestos nas vias públicas do Brasil. Muitas vozes entoando o FORA, TEMER.
            Só que o cenário político ainda iria ficar no topo das notícias por muito mais tempo. Pois vinha, em seguida, o afastamento do presidente da Câmara dos deputados, Eduardo Cunha.
            Após ser dono do maior processo já visto no Conselho de Ética, a cassação de Eduardo Cunha finalmente se torna realidade. Na segunda-feira, 12 setembro de 2016, o plenário da Câmara cassa o Cunha por 450 votos favoráveis. Fecha-se mais um círculo, mas o lamaçal político continua.

ANA GUERRA ACORDA, levanta-se e caminha até o homem enfermo. Chegando, encontra-o sentado, olhando a marca do ferimento, provinda de arma de fogo, cicatrizada. Ela fica impressionada com o que acabara de ver. Como alguém pode se curar tão rápido dessa forma. Sai do local e vai chamar o Dr. Romero. Os dois voltam até o ex-infermo e o Dr. o examina para tentar entender como o paciente se curou tão rápido, dentre poucas horas.
            - É impressionante! – Exclama Romero.
            - Eu estou me sentindo muito bem. Bem melhor que antes. – Afirma o paciente.
            - Você não está sentido mais nada? – Indaga-o Romero.
            - Não, doutor! – Diz e levanta-se.
            Nathan chega na companhia de Vitória Régia, e o líder tenta entender o que está acontecendo. Para isso, passa a interrogar o desconhecido.
            - Cara, quem é você? De onde você vem? Por que a milícia estava com você? Para onde eles estavam te levando?
            - Só um minuto! É muitas perguntas. – Senta-se. – Eu sou o Orlando Viana. Lembro que eu havia fugindo da Central de experimento da milícia.
            - Como? Central de experimento? Que porra é essa? – Pergunta furiosa VR.
            - Deixe o cara falar. – Ordena Nathan.
            - Bem! Como estava falando. Tinha escapado de lá, mas fui apreendido. Eles estavam me levando de volta, quando vocês interceptaram o grupo. Agradeço muito a vocês, pois não quero ser cobaia de maluco, não.
            - Eles estão usando seres humanos de cobaia para que? – Procura saber Romero.
            - Não sei ao certo. Mas tenho uma rápida lembrança de que eles querem transformar as cobaias em supertrabalhadores braçais. Tipo homem indestrutível.
            - Como assim? – Tenta entender Ana.
            - Acho que o tirano está tentando criar um grupo de escravos. – Esclarece-a Nathan.
            - Como o Dr. QI do livro de Pedro Bandeira? – Fala Ana.
            - Isso, Ana! – Concorda Nathan. – Lembro de ter lido esse livro para o meu sobrinho. As crianças raptadas eram drogadas com uma substância que as faziam obedecer ao Dr. QI. A tal da droga da obediência.
            - Eu não quero fazer parte disso não. Deixe-me ficar aqui com vocês. – Diz ofegante Orlando Viana.
            - Claro que não. – Afirma positivamente Nathan. – Agora você faz parte do nosso grupo. Vamos te proteger. Mas, Romero, precisamos entender mais profundamente o que aconteceu com ele.
            - Nathan, não tenho recursos tecnológico para ter uma precisão sobre o estado de Orlando, mas de uma coisa podemos ter certeza. Ele está sofrendo os efeitos dos experimentos da milícia. Talvez a gente se surpreenda negativa ou positivamente com essa alteração no corpo dele. A prova disso é essa cura repentina.
            - Então, Romero, fique atento a cada mudança que ele venha apresentar. Não podemos ser pegos de surpresa, caso a transformação seja ruim para o grupo. – Diz e sai na companhia de VR.
            - Será que não seria mais prudente a gente sacrificá-lo, Nathan? – Pergunta VR.
            - Claro que não.
            - Mas...
            Nathan a interrompe, segura pelos braços e diz:
            - A gente não é animais, selvagens para sair matando qualquer um que cruzamos. Talvez ele não tenha nada. Vamos esperar, dar uma chance para o cara. Não tenha esses pensamentos cruéis, não. – Solta-a e sai.
            A garota fica imóvel por um curto intervalo de tempo, até ser quebrado com o movimento do seu corpo, o qual segue os passos de Nathan.

RICK, JULY E NIKE SAEM EM MISSÃO: buscar alimentos para o grupo. Eles vão caminhando por uma via com diversos escombros e carros abandonados, alguns totalmente destruídos e outros em perfeito estado de uso. Entre estes, Nike encontra uma picape em excelente estado e com o tanque de combustível cheio, além disso, a chave se encontra na ignição. O rapaz chama a sua namorada e seu irmão para conferirem o que acabara de encontrar.
            - Negão, vem cá! – Chama-o Nike.
            - Diz aí, brother? – Fala Rick se aproximando do irmão.
            - O veículo está com a chave na ignição e com tanque cheio. – Entra no veículo. – Vamos pegá-lo. Assim fica mais fácil encontrar comida.
            - Amor! – Diz ao se aproximar. – Mas o Otonael não quer que a gente fique andando de carro por aí, pois pode chamar muita atenção.
            - Eu sei, linda! – Diz ao sair do carro. – Mas a gente precisa ganhar tempo, e para isso precisamos de um possante. – Dar a volta no automóvel e abre a porta do passageiro.
            - Eu estou dentro! – Exclama Rick. Entra no veículo, fecha a porta, dá a partida no carro e engata a primeira. – Vamos, cunhadinha.
            - Vamos, né?!
            A jovem dá a volta no veículo pela dianteira e entra no veículo, sentando ao lado do namorado. Os três saem em busca de algum supermercado. Após alguns minutos, eles avistam o Hipermercado Carrefour.
            Eles entram, July pega um carrinho e os três saem em busca de enlatados. Rick vai até a seção de higiene pessoal. Nike encontra-se um pouco afasto de July, ele busca alguns mantimentos ainda dentro da validade, enquanto a garota pega alguns enlatados. Ela coloca uma lada de feijão dentro do carrinho quando ouve um barulho na seção ao lado.
            - Nike? É você aí? Encontrou alguma coisa? – Espera a resposta do namorado.
            - July, achei estes pacotes de macarrão, estão bons para consumo. – Diz Rick.
            - Você ouviu um barulho? – Olha para todos os lados em giro.
            - Não. Mas deve ter sido o Nike. – Põe os pacotes dentro do carrinho.
            - Perguntei, mas ele não me respondeu. – Volta a pôr enlatados no carinho.
            - Gente, encontrei sabonetes, xampus, além de outras coisas que vamos precisar. – Se aproxima Nike dos demais e coloca a cesta dentro do carro.
            De repente, todos ouvem um barulho de coisas caindo no chão.
            - Há mais alguém aqui. – Diz Nike.
            July assustada bate nas costas de Nike e diz:
            - Acho que não é uma pessoa.
            Os irmãos viram e dão de cara com algo apavorante.
            - Que porra é essa, cara?! – Sussurra Rick.
            - Gente, sem movimentos bruscos. – Alerta-os Nike.
            - Ele está todo deformado. Ele está babando. Deve estar com raiva. – Declara July, já com a voz trêmula.
            Eles vão se afastando bem devagar, mas o cachorro com a cara toda deformada, cheio de feridas em carne viva, babando feito louco também acompanha os movimentos lentos dos humanos. Ele rosna, mostra os dentes afiados. Demonstra que não está com a mínima vontade de ser amigo dos garotos.
            - Estou me sentindo em Sobrenatural. Espero que Dean e Sam apareçam logo para matar esse cão do inferno. – Declara Rick.
            - Silêncio! – Pede July.
            - Pega as armas, mas não disparem. – Ordena Nike.
            - Vamos fazer o quê, Nike? – Procura saber July.
            - Quando eu contar até três, pernas para quem te quero. – Fala Nike.
            - Belo plano, Maninho!
            - Você tem um melhor, Rick?
            - Não! Mas...
            - Então, um, dois, três...
            Eles saem em disparada pelas seções do hipermercado. O cão vai atrás dos três. Bem a frente Nike vê um cabo pendurado, apressa os passos, salta e agarra-se a este, passa a subir o mais depressa que pode, July que vem bem atrás, segue-o, mas Rick não consegue o feito dos outros dois, continua correndo e sendo perseguidor pelo cão.
            Mais adiante, o garoto vê algumas prateleiras caídas e uma vaga entre elas, olha para trás e pensa rápido, joga-se e sai escorregando no piso molhado, devido as infiltrações, o que facilita para o sucesso da proeza. O cara passa por uma vaga entre prateleiras caídas e o piso.
            Só que o animal o seguiu. Para salvar o irmão, Nike desce do alto de uma gondola e chama a atenção do bicho. Este ao ouvi o chamado do humano, volta, sai do buraco e tenta atacar o rapaz, só que o chão molhado deixa os seus passos mais lentos, o que facilita para Nike, pois consegue disparar diversos tiros no animal.
            O cão não se dá por vencido, apesar de ser atingido por uma sequência de disparado de rifle. July do alto se desespera, grita o nome do namorado e este se encontra obstinado a derrubar o cachorro raivoso.
            Após atingir três tiros no meio da testa do animal, este continua a sua jornada até Nike, porém cai aos pés do rapaz.
            Rick sai de dentro dos escombros, July desce da gondola e Nike dá três longos passos para trás, ficando distante do cão. Sem acreditar no que acabara de fazer, põe o rifle no chão, o que faz com o seu corpo em sequência.
            July chega até o namorado chorando muito, abraça-o forte. Rick se aproxima e diz:
            - Valeu, irmão! – Estende a mão direita para cumprimentá-lo.
            - Não podia ficar parado olhando você se tornar comida de cão maldito.
            - O que era isso? – Diz July. – Vamos pegar logo tudo e sair daqui, antes que passemos até novas surpresas.
            - Foi uma grande aventura. – Diz as gargalhadas Rick.
            Os “aventureiros” vão buscar o carrinho com os mantimentos, em seguida, pegam o carro e seguem viagem até onde encontra-se os demais.

            No meio do caminho, Rick aproveita, que o irmão Nike está dirigindo e a July encontra-se descansando com a cabeça deitada no ombro direito do namorado, para conferir o ferimento na perna esquerda feito pelo cão. 

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