Razão e Emoção, do amor ao ódio - Capítulo III


CAPÍTULO III
Um sopro de paixão

CHEGA-SE AO FIM DE SEMANA, Gusta dormiu mais uma vez na casa de Bianca, para falar a verdade, ele passa mais tempo na casa da namorada que em sua própria, para ser mais preciso, em seu apartamento de apenas 53 metros quadrados.
            Bianca até prefere que o namorado esteja mais próximo dela, bem próximo, ou seja, bem perto dos olhares da moça ciumenta. Este sentimento já está sendo uma pedra na relação dos dois. Apesar da calma que Gustavo tem com a senhorita Rodrigues.
            A senhora Rita de Kássia já cansou de dar conselhos para a filha desde do tempo do finado Rodrigo Lins. Este era tão ciumento quanto Bianca, colocando na balança não dava para ter precisão de que peso era o mais pesado, qual lado da balança ficava mais tempo penso, no domínio.
            Gustavo acaba de tomar café da manhã, levanta-se da cadeira e vai em direção à sala, liga a televisão e fica mexendo no celular. De repente lembra-se da moça que fora atropelada, então, resolve ligar para a amida dela, Solange, com quem havia falado dias atrás. Vai até a agenda do seu celular e toca na imagem do telefone verde.

NO QUARTO DE YASMIM, Solange está verificando suas redes sociais no tablet quando ouve o toque do seu celular, que está sobre a cama de Yasmim, neste momento a filha de Augusto Duarte adentra ao quarto tomando sorvete na tigela.
            - Sol, você não quer mesmo um pouco de sorvete? – Senta-se na cama e encosta-se no espelho desta.
            - Miga, você não vai acreditar! – Exclama sentando próxima dela e mostra o visor do celular para a amiga visualizar o número de quem está ligando.
            - Quem é? – Indaga-a curiosa.
            - É o cara que te atropelou. Acho que ele quer saber de ti. – Olha mais uma vez para a tela do celular – E aí? Eu atendo?
            - Claro!
            Solange toca na tela para ativar a ligação. Leva o aparelho até o ouvido direito e fala com ar de surpresa.
            - Alô! Quem é? – Dar um riso tímido.
            - Gustavo Leone, o rapaz que ligou para ti dias atrás. – Pausa – Quero saber sobre o estado de saúde de Yasmim Queiroz.
            - Sim, lembro de ti, sim. – Pausa. Olha para Yasmim e rir com o canto da boca. – Eu estou aqui na casa dela. Para ser bem precisa, estou de frente a ela.
            - Então, ela está bem? – Procura saber.
            - Sim! Quer falar com ela? – Olha para Yasmim.
            Yasmim fica corada e faz um gesto negativo com a cabeça, mas é tarde demais. Gustavo responde afirmativamente à pergunta de Solange. Esta transfere o aparelho celular de sua mão à esquerda de Yasmim.
            - Oi?! Tudo bem contigo?
            - Tudo. E com você, Yasmim?
            - Estou bem. Quero, primeiramente, aproveitar para te pedir desculpas por ter atravessado a rua sem olhar. É que estava me comunicando com uma amiga de Paris. Simplesmente perdi a noção de tempo e espaço.
            - Estas coisas acontecem. Por mim tudo bem. Graças a Deus acabou tudo bem. Você e eu estamos bem, tranquilos e com saúde.
            - Também quero pedir desculpas a você por ter ligado. Afinal, você nem me conhece. Mas eu estava pensando em você, melhor dizendo, em tudo que aconteceu, e como eu tinha o número de sua amiga, resolvi ligar para ter notícias tuas.
            - Não tem o que desculpar. Estou feliz que você se preocupa comigo, ou melhor, se preocupou com a menina que, praticamente, se atirou no capô de teu carro. Espero que o prejuízo não tenha sido enorme.
            - Não! – Rir. – Foi uma besteirazinha que já até consertei. – Volta a rir.
            Solange pesquisa sobre Gustavo nas redes sociais e encontra o perfil do rapaz no Facebook, acessa a aba de fotos e clica sobre uma imagem. Olha por um tempo, em seguida, vira o aparelho em direção a amiga que visualiza a foto de Gusta e fica com os olhos brilhando. Solange rir baixinho para ele não ouvir.
            - Posso ligar para você outras vezes? – Pergunta o rapaz.
            - Pode. Eu vou armazenar o seu número na agenda do meu celular. Assim quando eu precisar de um herói, já tenho o contado de um. – Ri alto ao ouvir os risos felizes de Gustavo do outro lado da linha.
            Neste momento, ele percebe que Bianca está observando-o calada e com aquela expressão facial de muito ódio por ouvir o seu namorado no maior papo com outra, via celular.
            - Eu preciso desligar agora, a gente se fala outra vez. Tchau! Boa recuperação. – Desliga o celular e o põe sobre o sofá.
            Bianca sem falar nada, caminha-se até o quarto. Gusta desliga a televisão, levanta-se e vai até o quarto de Bianca.
            - Amor, vamos fazer o quê para aproveitar o sabadão?
            - Fazer o quê, cachorro? – Joga a almofada nele.
            - O que é isso, Bianca? – Anda até a cama dela e senta-se bem próximo da namorada.
            - O que é isso? Como você tem coragem de me perguntar isso com essa cara sínica?
            - Não sei por que você está tão irritada assim. Sinceramente eu não sei.
            - Vou clarear a tua mente, safado! Acabei de pegar você conversando ao celular com a menina que você atropelou dias atrás, numa intimidade surpreendente, até aprece que são velhos amigos. Será que não são? Fala para mim, Gustavo. Como aconteceu esse atropelamento mesmo, hein?
            - Não acredito que você está vendo coisa onde não tem. – Levanta-se e caminha até o banheiro.
            - Estou vendo coisas. Sim, estou vendo coisas, sim. Estou vendo você com um papinho meloso com outra mulher. E o pior: “Posso ligar para você outra vez?” Como assim, seu safado? O que você tem para conversar com uma mulher que nem conhece, que simplesmente atropelou e a levou até o hospital e pronto. Mas eu posso está enganada. Você deve conhecê-la muito bem. Deve ser amiguinho íntimo dela.
            - Bianca! – Volta do banheiro. – Não sei por que você está dando este espetáculo todo. Não te dei motivo algum que justifique este ataque de ciúme. – Vai até o closet.
            - Você acha que sou besta. – Grita. – Não sou besta não, Gustavo Leone. – Continua falando com voz alterada. – Não suporto homem mulherengo e não nasci para ser corna. Não aceito ser traída por um cafajeste na minha cara, na minha casa. Debaixo do mesmo teto que estão eu e minha mãe.
            - Quando você quiser conversar educadamente, é só me procurar que estou a sua disposição. – Vai saindo do quarto com uma mala na mão. – Não consigo dialogar com alguém aos gritos e alterada desse jeito.
            O jovem chega à sala e encontra-se dona Rita de Kássia sentada no sofá quieta e, de certa forma, esperando que a briga acabe.
            - Dona Rita, estou indo. – Abraça-a e dá-lhe um beijo na sua face direita.
            - Vá em paz, meu filho. Quando quiser aparecer, pode aparecer, pois você será bem recebido aqui.
            Bianca vai entrando na sala quando corrige a voz da mãe.
            - É não, minha mãe. Ele não será bem recebido nesta casa enquanto estiver me traindo, tiver com cachorrada. – Grita.
            - Minha filha, calma! – Exclama tentando apaziguar os ânimos.
            Gustavo abre a porta e sai sem fala mais nada.
            Bianca cai no choro e é consolada pela mãe que lhe abraça forte.
            - Minha filha, que ciúme horrível você tem.

DE VOLTA À CASA DE YASMIM.
            - Meu Deus! Ele é muito lindo. – Fica passando foto por foto do álbum de fotografia de Gustavo no perfil do Facebook. – Vou pedir para ser amigo dele. Vou procurar o Instagram dele também.
            - E o melhor você ainda não sabe, Yasmim.
            - O quê?
            - Ele trabalha na empresa dos seus pais.
            - Não! – Grita toda feliz. – Meu Deus! Realmente não poderia ser melhor. Acho que eu tenho algo a fazer.
            - Será que ele não sabe?
            - Acho que não, Sol. Se ele soubesse, teria dito.

NA SEGUNDA-FEIRA, YASMIM COMEÇA a trabalhar na Flammy Indústria Ltda. A herdeira da família Flammy Queiroz começa a atuar como consultora financeira da organização dos seus pais.
            - Bom dia!
            - Bom dia! A senhora deseja falar com o presidente.
            - Sim! Quero falar com o meu pai, ele já chegou?
            - Yasmim?
            - Sim!
            - Desculpe-me por não ter te reconhecido. É que faz muito tempo que não te via. E a senhora está muito diferente da última vez que te vi.
            - Esse tempo que passei em Paris realmente me transformou em uma nova mulher.
            - O seu pai está sim. Vou avisá-lo que a senhora está aqui.
            - Não precisa. Eu vou entrar. Um bom trabalho. – Caminha até a porta da sala da presidência e adentra.
            Bianca fica surpresa em ver Yasmim Flammy na empresa àquela hora. Antes da viagem a Paris, ela nunca havia pisado naquele recinto senão à tarde e na companhia do Augusto Queiroz.

NA SALA DE ANTONY FLAMMY.
            - Minha filha querida. – Levanta-se e vai abraçar a filha. – Que bom vê-la aqui na empresa e trabalhando ao lado do seu pai.
            - Pois é, pai. Surpreende até a mim essa minha decisão, mas é por uma causa maior. – Dá um leve sorriso no canto da boca.
            - Chegue, sente-se aqui para conversarmos.
            Ambos vão até o sofá e se acomodam bem próximos.

NA SALA DO CAFEZINHO, Bianca e Verônica conversam sobre a presença de Yasmim na empresa. Mas o assunto acaba sendo outro, a briga da secretária e o assistente de marketing.
            - Não entendi o que realmente houve. Você ligou, mas não explicou direito. – Tenta entender o que motivou a briga entre Bianca e Gustavo.
            - Como te disse. Ele estava na sala, bem sentado, ligando para a zinha que ele atropelou. No maior bate papo, até perguntou se podia ligar para ela de novo.
            - Se eu pegasse o Vinícius nessa situação, nem sei o que eu faria, acho que seria uma briga daquelas de destruir a casa toda.
            As duas caem na gargalhada quando veem Marcelo e Fátima entrarem na sala.
            - Meninas, que risada boa. Parece que a piada foi boa.
            - Como foi, Marcelo. – Confirma Bianca.
            O casal vai até a cafeteira e as amigas saem da sala.
            Minutos depois, Gustavo chega à sala. Ele e os amigos, Fátima e Marcelo, conversam sobre a situação do rapaz.
            - Pois foi, cara. Ela ficou possessa quando me viu falando com a garota ao telefone. Só queria saber do estado dela. Eu estava preocupado com o seu estado, não sabia se ela estava bem ou o estado de saúde dela tinha se agravado.
            - Mas você não teve culpas, até deu toda a assistência necessária a garota.
            - Eu sei, Fátima. Mas sou assim, enquanto não fico sabendo do estado de saúde de alguém, não consigo ter paz.
            Neste momento, uma mulher entra no recito e fala suavemente.
            - É só você olhar com os seus próprios olhos para mim, que vás ficar sabendo que estou vendendo saúde. – Diz Yasmim.
            Gustavo vira-se lentamente a cada palavra de Yasmim. Ele estava tão surpreso que nem ouviu bem o que ela dizia, mas uma canção melosa e apaixonante tocava em sua cabeça. Era a trilha sonora de um encontro inevitável, contudo, armado, em parte, por Yasmim.
            - Você, aqui?
            - Surpreso com minha presença?
            - Muito.
            - Entra, querida. – Convida-a a gerente de marketing da empresa. – Gustavo, essa é Yasmim Flammy Queiroz, a filha de Augusto Queiroz e Antony Flammy. – Apresenta-os Fátima.
            - Você é filha do presidente da Flammy Indústria?
            - Sim!
            - Quer dizer que o Gusta atropelou a filha do patrão? Ele já sabe disso, hein, Gusta? – Diz Marcelo aos risos.
            - Ainda, não. – Afirma Yasmim. – E não precisa saber, né? Como é o seu nome mesmo?
            - Sou o Marcelo, prazer em conhecê-la, senhorita.
            - Marcelo, temos que ir agora. Vamos! – Diz a namorada do rapaz.
            - Sim. Vamos. – Saem de mãos dada com Fátima.
            Yasmim vai até a cafeteira, pega um copo de plástico e coloca café no recipiente. Em seguida, caminha até o sofá e se acomoda. Enquanto isso, Gusta continua parado, imóvel no mesmo lugar que estava no momento em que a herdeira do Flammy adentrou a sala.
            - Você vai continuar aí nessa inércia toda. – Rir.
            - Não! É que estou muito surpreso com sua presença, ou melhor, com a revelação de que você é filha do senhor Antony.
            - Muda alguma coisa? – Procura saber.
            - Sim! Não! Não sei ao certo. Então, muda?
            - Acho que não, Gustavo. De minha parte, continua tudo como antes. A não ser que você queira que haja alguma mudança em nossa relação.
            - Em nossa relação? Não entendi. – Aproxima-se de Yasmim e senta-se ao seu lado. – Como assim? Do que você está falando?
            - De nossa amizade em estado inicial.
            - Sim! Isso! – Transmite nervosíssimo.
            - Há algo a mais entre nós dois? – Fixa um olhar sedutor no olhar trêmulo de Gusta.
            - Acho que não. Mas acho que haverá. Afinal você é filha do presidente. Com certeza não haverá nada a mais do que uma relação entre subordinado e chefia.
            - Eu diria colaborador e gestor, mas não sou gestora. Estou aqui como consultora financeira da empresa. Portanto, sou uma colaboradora como você é.
            - Pensamos assim. – Levanta-se. – Tenho que voltar ao serviço. O meu intervalo para o café já acabou. Foi um imenso prazer te ver em pé em minha frente, te ver bem. Tchau!
            - Também gostei de conhecer o dono da voz que ligou para mim, todo preocupado. Tchau!
            Ele sai e ela fica feliz se esparramando sobre o sofá, radiante de felicidade.

À NOITE, VERÔNICA LIGA para Bianca Rodrigues e conta que a moça atropelada por Gustavo Leone é a filha do presidente da Flammy Indústria. A namorada ciumenta de Gusta desliga o telefone furiosa com a notícia.
            - Ela? Não pode ser. Agora está tudo explicado. Por isso que Gustavo se preocupou tanto com a rapariga. A putinha é rica. Claro! Entre uma secretária pobre e a filha de um milionário, quem ele escolhe? Ela! Que ódio desse cachorro, safado, mentiroso. Que ódio! Que ódio!

            Furiosa sai quebrando tudo que ver em sua frente. A fúria é tão grande que deixa sua mãe preocupada no hall de acesso aos quartos da casa. Ela fica na companhia das silenciosas lágrimas, ouvindo a sua filha destilar toda a sua ira nos objetos do quarto, aos berros.
Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

RESENHA CRÍTICA DO DOCUMENTÁRIO - MILTON SANTOS: POR UMA OUTRA GLOBALIZAÇÃO

Ator Global de "Além do Horizonte" se assumiu mesmo?

O PROTAGONISMO E A PARTICIPAÇÃO INFANTIL NO CONTEXTO ESCOLAR