Questões sobre Funções da linguagem; Ambiguidade; Polissemia - Com Gabarito


1.   (FUVEST-SP)

Leia o texto que segue para responder ao teste.

                                                                        O olhar também precisa aprender a enxergar


          Há uma história adorável, contada por Eduardo Galeano, escritor uruguaio, que diz que um pai, morador lá do interior do país, levou seu filho até a beira do mar. O menino nunca tinha visto aquela massa de água infinita. Os dois pararam sobre um morro. O menino, segurando a mão do pai, disse a ele: “Pai, me ajuda a olhar”. Pode parecer uma espécie de fantasia, mas deve ser a exata verdade, representando a sensação de faltarem não só palavras, mas também capacidade para entender o que é que estava se passando ali.
          Agora imagine o que se passa quando qualquer um de nós para diante de uma grande obra de arte visual: como olhar para aquilo e construir seu sentido na nossa percepção? Só com auxílio mesmo. Não quer dizer que a gente não se emocione apenas por ser exposto a um clássico absoluto, um Picasso ou um Niemeyer ou um Caravaggio. Quer dizer apenas que a gente pode ver melhor se entender a lógica da criação.


Luís Augusto Fischer. Folha de S. Paulo, 19/8/2003.

Relacione a história contada pelo escritor uruguaio com “O que se passa quando qualquer um de nós para diante de uma grande obra de arte”, o autor do texto defende a ideia de que:


A) O belo natural e o belo artístico provocam distintas reações de nossa percepção.
B) A educação do olhar leva a uma percepção compreensiva das coisas belas.
C) O belo artístico é tanto mais intenso quanto mais espelhe o belo natural.
D) A lógica da criação artística é a mesma que rege o funcionamento da natureza.
E)  A educação do olhar devolve ao adulto a espontaneidade da percepção das crianças.

Texto para os testes 2 e 3.

Riqueza

    [...] Foi problema que sempre me interessou, esse de ser rico. Ser rico – quer dizer, ter em mãos as possibilidades de poder e os privilégios que o dinheiro dá – é o sonho universal das criaturas. Todo mundo precisa, quer dinheiro, o pobre para enganar a miséria, o rico para ficar riquíssimo, o pecador para satisfazer seus desejos, o santo para as suas caridades. E isso não é para admirar, pois o dinheiro representa realmente o denominador comum de tudo que tem valor material nesta vida, inclusive coisas de caráter subjetivo, como o poder, o prestígio, o renome etc. Diz que até o amor.
    Tudo isso é o dinheiro. E, contudo, não há coisa mais limitada do que o dinheiro, a riqueza. [...]
    A riqueza, sendo capaz de nos proporcionar apenas o que está à venda, não nos pode dar nada de genuíno, de autêntico, de natural. Se você perde a perna num acidente, o dinheiro lhe dará a melhor artificial do mundo – mas artificial. [...] E quem fura o olho, possua embora o dinheiro do Rockefeller, terá que se arranjar com um olho de vidro, como qualquer de nós. [...]
    Moralidade: Não tenha inveja dos ricos, não tenha inveja de ninguém, que é melhor. Mas se quer invejar, inveje o simples abastado que pode satisfazer as suas necessidades e, na medida do possível, alguns dos seus sonhos. [...]

Rachel de Queiroz. In. Quatro Vozes. by herdeira de Rachel de Queiroz. Rio de Janeiro: Record.   


2.    (Cefet-CE – Adaptado)
“Foi problema que sempre me interessou, esse de ser rico.”
É incompatível com a passagem acima a análise no item:


A)  Há manifestação pessoal do emissor diante do conteúdo exposto.
B)  Há certo grau de subjetividade.
C)  Ocorre a função expressiva (ou emotiva) da linguagem.
D)  A função da linguagem aí presente é garantida pela objetividade e pela imparcialidade do emissor.
E)   A função da linguagem presente no texto é o código explicando o próprio código.


3.    (Cefet-CE – Adaptado)

Sobre “Não tenha inveja dos ricos”, é correto afirmar:

A)  Há um apelo para o receptor, o que constitui a função conativa da linguagem.
B)  A mensagem centra-se no contexto, portanto a função predominante é a referencial.
C)  Como o referencial é o próprio código, a função por excelência é a metalinguística.
D)  Testa constantemente o contexto, portanto a função é a fática.
E)   Há uma preocupação com a construção frasal e com a estrutura da mensagem, portanto a função predominante é a poética.


4.    (FUVEST-2008) Leia o poema de Mário Quintana.


                                                A borboleta


Cada vez que o poeta cria uma borboleta, o leitor
Exclama: “Olha uma borboleta!” O crítico ajusta os
Nasóculos e, ante aquele pedaço esvoaçante de vida,
Murmura: - Ah!, sim, um lepidóptero...



Mário Quintana. Caderno H.

Nasóculos: óculos sem hastes, ajustáveis ao nariz.
Lepidóptera: é uma ordem de insetos muito diversificada, que inclui as borboletas e um grupo chamado de traças em Portugal ou mariposas no Brasil.

Depreende-se desse fragmento que, para Mário Quintana,


A)  A crítica de poesia é meticulosa e exata quando acolhe e valoriza uma imagem poética.
B)  Uma imagem poética logo se converte, na visão de um crítico, em um referente prosaico (prosa).
C)  O leitor e o poeta relacionam-se de maneira antagônica com o fenômeno poético.
D)  O poeta e o crítico sabem reconhecer a poesia de uma expressão como “pedaço esvoaçante de vida”.
E)   Palavras como “borboleta” ou “lepidóptero” mostram que há convergência entre as linguagens da ciência e da poesia.


5.   (PUC-SP) Observe a seguinte afirmação:


“Em nossa civilização apressada, o ‘bom dia, o ‘boa tarde’ já não funcionam para engatar conversa. Qualquer assunto servindo, fala-se do tempo ou de futebol.” Ela faz referência à função da linguagem cuja meta é “quebrar gelo”.

M. O. Marques. Escrever é preciso. Ijuí: Unijuí, 1997, p. 13.

Indique a alternativa que explicita essa função:


A) Função emotiva.
B) Função referencial.
C) Função fática.
D) Função conativa.
E)  Função poética.


6.   (UNIFESP – adaptado) Leia o poema de Arnaldo Antunes.

                                                                   Fora de si


Eu fico louco
Eu fico fora de si
Eu fica assim
Eu fica fora de mim
Eu fico um pouco
Depois eu saio daqui
Eu vai embora
Eu fico fora de si
Eu fico oco
Eu fica bem assim
Eu fico sem ninguém em mim


A leitura do poema permite afirmar corretamente que o poeta explora a ideia de:


A) Buscar a completude no Outro, conforme atesta a função apelativa, reforçando que o Eu, quando fora de si, necessariamente se funde com o Outro.
B) Sair de sua criação artística, retratando, pela função poética, a contradição do fazer literário, que não atinge o poeta.
C) Perder a noção de si mesmo, e também perder a noção das outras pessoas, o que se mostra num poema metalinguístico.
D) Extravasar o seu sentimento, como denuncia a função emotiva, reafirmando a situação de perturbação do poeta.
E)  Criar literariamente como brincar com as palavras, o que se pode comprovar pela função fática da linguagem.


7.   Os Lusíadas, obra de Camões, exemplificam o gênero épico na poesia portuguesa, entretanto, oferecem momentos em que o lirismo se expande, humanizando os versos. O episódio de Inês de Castro, do qual foi transcrito o trecho que segue, é considerado o ponto alto do lirismo camoniano inserido em sua narrativa épica.


Tu só, tu, puro Amor, com força crua
Que os corações humanos tanto obriga,
Deste causa à molesta morte sua,
Como se fora pérfida inimiga.
Se dizem, fero Amor, que a sede tua
Nem com lágrimas tristes se mitiga,
É porque queres, áspero e tirano,
Tuas aras banhar em sangue humano.

Estavas, linda Inês, posta em sossego,
De teus anos colhendo doce fruto,
Naquele engano da alma, ledo e cego,
Que a Fortuna não deixa durar muito,
Nos saudosos campos do Mondego,
De teus fermosos olhos nunca enxuto,
Aos montes ensinando e ás ervilhas
O nome que no peito escrito tinhas.


Rosemeire da Silva e Carlos C. Minchilo (introdução e comentários). A poesia épica de Camões. São Paulo: Policarpo, p. 34.

Molesta: lamentável. / Pérfida: traiçoeira, desleal. / Mitiga: sacia, satisfaz. / Aras: altares. / Posta em sossego: repousando após a morte. / Ledo: feliz, contente. / Mondego: rio da região central de Portugal. / Fermosos: belos, formosos.

Desse episódio, como um todo, pode afirmar-se que seu núcleo central

A) Personifica e exalta o Amor, mais forte que as conveniências e causa da tragédia de Inês.
B) Celebra os amores secretos de Inês e de D. Pedro e o casamento solene e festivo de ambos.
C) Tem como tema básico a vida simples de Inês de Castro, legítima herdeira do trono de Portugal.
D) Retrata a beleza de Inês, posta em sossego, ensinando aos montes o nome que no peito escrito tinha.
E)  Relata em versos livres a paixão de Inês pela natureza e pelos filhos e sua elevação ao trono português.

8.   Assinale a alternativa que melhor expressa a ideia apresentada nos versos transcritos a seguir.

                   Busque Amor novas artes, no engenho,
                   Para matar-me, e novas esquivanças;
                   Que não pode tirar-me as esperanças,
                   Que mal me tirará o que eu não tenho. [...]

Izeti F. Torralvo e Carlos C. Minchilo (seleção, apresentação e notas). Sonetos de Camões. São Paulo: Ateliê Editorial, 1998, p. 135.

Engenho: invenções, estratégias. / Esquivanças: disfarces, dissimulações. / Que: pois.


A) O eu lírico tem consciência de que não resistirá aos sofrimentos causados pelo amor.
B) O sentimento amoroso cessará somente quando o eu lírico não mais resistir às provocações que o amor impõe.
C) O eu lírico mantém-se forte e esperançoso, ainda que submetido a dilacerantes sofrimentos.
D) As experiências amorosas por mais doloridas que sejam têm o vigor de restituir as esperanças para o eu lírico.
E)  Embora desesperançado, o eu lírico ainda resiste aos tormentos causados pelo amor.


9.   Leia os versos que seguem, transcritos do poema Magdalena, do autor Baltazar Estaço, do Barroco português.


E tanta pena tem
De não ter quanta teve
Senhor que por ela padeceu,
Que na alma por mor bem
Com esta pena escreve
[...]
Doce descanso meu, todo meu bem
Largai vossa justiça em mim culpada
Dareis a pena a quem a culpa tem.


http://www.fcsh.unl.pt/docentes/hbarvas/Antalogia/1604-Baltaar%20Estaco.htm

Identifique a única alternativa incorreta a respeito do fragmento.

A)     O termo PENA tem o mesmo sentido em todas as ocorrências.
B)     Ocorre entre os empregos do termo PENA uma relação de homonímia.
C)     Na segunda ocorrência de PENA (“Com essa pena escreve”), percebe-se uma ambiguidade decorrente da polissemia da palavra PENA.
D)     O termo PENA no último verso tem o sentido de “castigo”.
E)     Em cada uma das ocorrências o termo PENA assume um sentido diferente.

10.     (FUVEST-SP) Identifique a única frase em que a ordem de colocação das palavras não produz ambiguidade.

A) Rossi pede ao STF processo por calúnia contra Motta.
B) É só colocar as moedas, girar a manivela e ter a escova já com pasta embaladas nas mãos.
C) Casal procura filho sequestrado via internet.
D) Câmara torna crime porte ilegal de armas.
E)  Regressou a Brasília depois de uma cirurgia cardíaca com cerimonial de chefe de Estado.

GABARITO

1. B
2. D
3. A
4. B
5. C
6. D
7. A
8. E
9. C
10. D
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