Direitos humanos para que e para quem


Por E. C. Andrade

O jornalismo nunca é compreendido pela população. O jornalismo distorce a realidade. Talvez seja o povo que não compreende as notícias!? Será que os noticiários optam por defender o lado errado ou é o povo, cansado, que não aguenta mais tantas aberrações tornando-se manchetes?

Esta semana, nas redes sociais, um vídeo contendo cenas fortes de policiais atirando, a queima-roupa, em dois jovens, diga-se, bandidos, caídos na calçada de uma escola, após serem baleados durante uma perseguição. Os “cidadãos” ainda estavam vivos, mas os “defensores” decidiram dar cabo do sopro de vida desses meliantes, resolveram sentenciá-los sem direito a um julgamento justo.

Refletindo. O que realmente é um julgamento justo para esses dois jovens envolvidos no tráfico, na bandidagem?

Após o vídeo ser exibido em telejornais para todo o Brasil, internautas decidiram sair em defesa dos policiais. Ao abrir a minha conta no Facebook, visualizo uma postagem com um texto indignado pela forma como foi noticiado o caso. A pessoa que escrevera o texto, verbalizou que a sociedade estava "doente", que era um absurdo ter pena dos bandidos, “covardemente” mortos pelos policiais, que a população deveria apoiar os “homens da lei” por ter tirado duas escórias do convívio social.

Não tão diferente da opinião revoltada do internauta redator, era a dos comentaristas. Estes chegavam a aplaudir e condecorar os policiais pelo “grande ato”. Vociferavam “bandido bom é bandido morto”. Chamavam os policiais "justiceiros" de heróis. E por aí vai. E quem pensava diferente, era hostilizado. Mandavam-nos levar para casa, se estava com pena. Desejavam que os direitos humanos fossem para o “raio que o parta”. A expressão usada não foi a mencionada nos comentários, mas foi empregue aqui só para ser delicado com os leitores.

            Sem tomar partido, afinal, querem vigorar a lei da “Escola sem partido”, portanto é melhor não ter “partido”, vai que... Perguntei-me: onde iremos parar com essas atitudes, esses pensamentos, essa visão do que é certo ou errado de acordo com um único lado? Será que os direitos humanos devem ser um direito de segregação social? Ande pelos caminhos certos que serás visto e julgado como ser humano. Siga uma religião que serás considerado cidadão. Viva dentro de um padrão que terás acesso aos seus direitos. Mas se você estiver à beira, à margem disso tudo, serás condenado, massacrado, exilado, eliminado sem dó e piedade.

            Quem tem o direito de decidir isso pelo outro? Segundo as leis divinas, o único a ter direito de ceifar a vida de um homem é Deus. Tão certo como a argumentação de uma boa parte dos brasileiros, por exemplo, que se põe contra o aborto. Então, por que pagar a violência com a violência. Se tiver a face batida, baterá na face do outro também. Por que decretar que a única lei humana é olho por olho, dente por dente. Se tanto condenamos e nos revoltamos com as imagens de negros sendo espancados, chicoteados, torturados durante o período de escravidão.

            Sinceramente não sei como caminhar. O pior é que observamos políticos discursando palavras de ódio, incentivando o cidadão de “bem” cometer “justiça” com as próprias mãos. Ouvimos mulheres sendo contra a luta das demais por direito e igualdade social, criticando o feminismo, apoiando ato de sexismo, condenando os direitos adquiridos pelas mulheres, entre eles, o de votar. Justificando a sua “cegueira” com orações retrógadas: “a minha base educacional foi pautada no conservadorismo. Sou fruto de uma família tradicional. Sou fiel aos dogmas de minha religião”. Injustificações!

            Chego, portanto, a pensar que a saída é não ter saída. Será? Estamos fadados ao barbarismo sem proporção. Desculpe-me os bárbaros, mas foi a primeira palavra que veio a minha mente, e se encaixou adequadamente a realidade dissertada. Por fim, não tenho lado, também não estou sobre o muro. De certa forma, tenho-o. Se for analisar as minhas raízes formativas de caráter, pensamento e ideologia de vida e visão social. Sendo assim, acredito no empoderamento do respeito mútuo. Logo, que todo ou qualquer cidadão, independentemente de sua condição perante a sociedade, possa gozar de seus direitos garantidos em todas as esferas da sociedade mundial. Caso contrário, não justifica o termo DIREITOS HUMANOS, mas sim, selvagens.
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