O poder, de Evandro Calafange de Andrade



O poder
Evandro Calafange de Andrade

Se queres ir, então, vá!
Se queres ficar, que fique aqui
Ao meu lado sem me humilhar,
Ao meu lado sem me diminuir,
Ao meu lado sem me desmerecer,
Fique a me fazer bem.

Saiba que meu corpo não é uma extensão do seu
Não preciso de muletas para seguir em frente
Que você me diga “sim” ou “não”
O que vestir, falar, como agir
Porque antes de você ser presença...
Eu já era existência
Era vida, terra e ar.

Se queres ir, então, vá!
Se queres ficar, que fique então
Mas saiba que não serás gaiola
Não serei pássaro em tuas mãos
Não admitirei ser julgada sem ser ré
Sou pretérito, presente e futuro
A liberdade e a resistência
Noite, se eu quiser que seja
Dia, se eu decidir que assim seja
O que eu achar que preciso ser
Com ou sem você.

Se queres ir, vá!
Se queres ficar, fique!
Sabendo me respeitar
Pois sou mais que lar
Sou empresa, labuta,
O congresso, o poder,
Versos, rimas, metrificação,
Não um mero “que” da questão.

Se queres ficar, entenda!
Não suportarei ser estatística
Escrava das tuas razões.
Se tens chicote e esporões
Usá-los comigo, não!
Pois sou rocha, algodão
Mas não sou teu chão.

Se pensas assim, sou a voz do não
Se queres me amar, estarei ao teu lado
E jamais aceitarei a tua essência machista
Empoderei-me diante do teu olhar
Só para te lembrar
“Singela” não serei em tuas costas.
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