És tu, amor?, de Evandro Calafange de Andrade



És tu, amor?
Evandro Calafange de Andrade

Confesso, fiquei sem ar
Olhei fixamente para ti
Te via a um toque meu
Levemente bailando sobre a relva
Senti em tua respiração
O que desejava ouvir...
Mas me faltava altura apropriada.
Entrei, sai
Continuei a te observar
Em cada incansáveis Cliques di’noite
Sabia cada percurso, gosto teu.
No folhar da folhinha...
Desculpe-me, fui obrigado a partir!
Longe do teu perfume
Cresci, aprendi
O principal para continuar, conhecer a mim
Descobri que sabia viver
Por mais que estivesse longe
Sem o amanhecer dos teus verdes campestres
Soube também que tudo pode ser capaz...
Quando o coração, danado músculo sensível,
Cavalga galopante no peito de um brejeiro.
Foi assim que vivi angústias
Em um eterno devaneio,
Escrevi linhas tortas tingidas em um livreto
Ninei a esperança com todo zelo
Nem o pingo teve esmera sincera atenção minha
Foi janeiro para os lados do sertão
Chegou dezembro pela chaminé
Mas um número riscado
Folha rasgada
Um filme na tela da TV
Eu aqui, mas você...?
Nem notícias cantaroladas diante da ânsia popular
Os meus olhos cansados admiravam
O cavaquinho choroso que se debulhava
O pandeiro panderoso que se dramatizava.
E ao amanhecer de mais um dia repleto de nuvens brincalhonas
Levantei-me da mesmice corpórea
Fui em busca de ares
Apreciando a colina
Desenho uma bela hilariante menina
Curvas, cabelos esvoaçantes
Sorriso solar a me aquecer
Pele aveludada convidativa em uma manhã contagiante
Brancura ofuscante, surpreendente
Aproximava-se ofegante
Dava cor ao descolorido
Não era mais a velha fotografia no porta-retratos
Veio o vento e a levou ao antiquário
Rente a minha face, tomou-se a me encontrar
Em cada passo de lembranças veladas
Restando indagar-me:
“És tu, amor”
Eu apenas sorri aquele velho sorriso amarelo
Abobalhado sem fixar o meu castanhar em ti
Seguido de um tímido jovial irradiante
Sim!
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