Contínuo, de Evandro Calafange de Andrade



Contínuo
Evandro Calafange de Andrade

O despertar da manhã
E na xícara de café, tudo do mesmo
Olho-me no espelho e me vejo refletido
Além da minha concreta semelhança
São as inverdades da vida.

Procuro a distração
Em qualquer lugar que não seja o mesmo de ontem
Mas apenas encontro o teu olhar
Em tudo que posso tocar
São as angústias de toda inexistência do ser.

Caminho à trajetória do passado remoto
Que jamais escreverei em minha lápide
De repente me deparo com o surgimento
Daquele cruel gigantesco monte
Em plena avenida Nascimento de Castro
Encontro-me em Natal.

Mais uma manhã chuvosa,
Frio na espinha.
Parece que pintou o novo de novo
Mas abri na mesma página 100
Daquela história de magia e negações
Só que dessa vez, apenas dessa vez
Palpitou fortemente o coração
Em um peito ferido de ser apenas
O que o espelho me mostrou constantemente.

Ouço palmas, alguém acaba de chegar aqui
Fico esperando, aguardo meu corpo reagir
Levanto-me para saber quem é
Bem que poderia ser você
Eu, quem sabe.

Não é ninguém outra vez
Fruto de uma página em branco
Que nunca tive coragem de escrever
Pois fecho os meus olhos e não enxergo
O brilho das constelações
Não sinto o toque do ar.
Sem a brisa me acariciando
Deixando-me envolto a (in)sentimentos.

Simplesmente, nada de um nada
Porém, o tempo revela-me pingo a pingo
As gotas de circunstâncias que não complementam
A ação verbal em mim.
Torno-me mero contínuo!
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