Texto: Na mesa de bar, de Evandro Calafange de Andrade



Na mesa de bar



- Penso que o momento não é propício para prosseguirmos com este projeto, pois sabes que o investimento será vultoso. Portanto, como não estou em situação financeira confortável, acredito não ser prudente...

- Ôxe! Tu tá falido, macho?

- Esta palavra não traz bons fluidos para a minha vida. Prefiro utilizar vocábulos mais positivos, com uma energia...

- Que arenga toda é essa, Cabra? Homi, tu tem de fazer o que faço. Minha muié quis fazer o quarto da bebê, aí eu não coloquei o pé na porta, não.

- Mesmo estando o país, assim como todos os cidadãos, passando por este momento econômico tanto que cheio de bruma?

- Oi? Como tava te contando, sei que o Brasil tá numa crise ferrenha, mas gastei o que não tinha, fiz até um empréstimo. Acredita?

- Posso garantir-te fielmente que acredito em tudo que relatas diante de minha face corada e um tanto irrequieta.

- Pois, se não é verdade!

- Mas o teu bebê merece tudo o que você puder propor para ele. Afinal, tua filhinha é muito graciosa. Assim como teu filho, uma criança muito esperta, expansiva. Eles serão homem e mulher com um futuro luzente...

- E pah! Oxalá! Mas que papo mais sem coerência. Tu se articula de uma forma... tanto que bizarra. Até parece gringo, uai!

- Ora pois! Pois não sou!?

- Oxalá! Bah!
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