Carta de um brasileiro a si aos 69 anos


Natal, 13 de março de 2016.

Prezado eu,

Como você vive em 2050? A sua vida aos 69 anos é boa ou você vive preocupado com a economia brasileira, com as péssimas ações políticas, poluição, falta d’água ou qualquer outra mazela que assola a vida humana neste país?
Eu com quase 35 anos, já presenciei muitas coisas positivas e negativas. Meus olhos são provas de que o homem pode ser mais cruel do que um leão faminto. Este pelo menos abate a sua presa para saciar a sua fome. Enquanto que o “ser racional” mata, destrói, agi em prol de ideal que não é voltado para uma nação, mas ao próprio umbigo.
Tirar a vida de um “irmão” apenas por divergência religiosa ou por ganância é um pecado quase que justificado nesta época que vivo. Se o mundo não era tão bom assim para viver em anos remotos. Após a chegada dos anos 2.000, acho que tudo ficou mais intenso. Principalmente, depois as eleições de 2014.
O nosso Brasil de hoje vive encharcado pela lama da corrupção. O povo vai as ruas pedir por um olha sã dos governantes. Enquanto outros aproveitam para furtar, bater, destruir, causar o terro em via pública. Muitas vozes condenam um político comprovadamente ou quase culpado por desvio de verba pública. No entanto, há outras vozes, aquelas que ecoam quase que abafadas entre a multidão, as dos políticos em pele de cordeiro. Estes condenam “colegas” para que a nação se esqueça de seus maus passos. E assim, continuam desfrutando do rio de verbas públicas.
Acordar e pegar um transporte público são assinaturas em uma cartela na loteria. Muitos ganham o prêmio de voltar para casa e recomeçar na roleta da sorte, mas outros, talvez poucos, quem sabe, são sorteados para estar em frente à bala do meliante. E ninguém se importará com a lágrima que rolará no rosto do ser morto, dos seus familiares, dos amigos, porque eles fazem parte das estatísticas da pobreza, da violência, da fome, do NADA.
Suar e trabalhar diariamente para pagar “propina” ou “pedágio” para os bandidos vida boa são lemas vociferados por uma parcela da população brasileira. É assim que se vive neste país. Pode-se dizer que nascer pobre é sorrir para vida com um contrato de morte predeterminado ao ver a luz dos olhos da matriarca, em uma curta vida de sofrimento. E o que nos resta é sonhar em permanecer vivo para ter a oportunidade de viver um futuro glorioso.
Portanto, espero que o 13 de março de 2050, você, eu, esteja curtindo alegremente esse dia com a família, quem sabe: esposa, filhos, netos, bisnetos, amigos, familiares. Que a dor que sinto hoje, não seja a dor aguda que terás na sua vida. Que você sintonize a TV e possa assistir um bom programa, mas não flash ao vivo sobre manifestantes vestidos de verde e amarelo gritando palavras de ordem, pedindo a condenação e o afastamento de governantes corruptos.
Espero que as mazelas de 2016, assim como, as que estão por vir nos próximos anos, não destruam a vida dos cidadãos de 2050. Principalmente a minha e do povo brasileiro.
Um grande abraço,

Evandro Calafange de Andrade 
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