Pós-carnaval 2016


Vida carnavalesca
Evandro Calafange de Andrade

A cuíca soou saudosista
As purpurinas foram varridas na avenida
As cinzas pegaram carona com o vento
E as fantasias se eternizaram em fotografias.

O bloco passou
O corpo carnavalesco suou
E a voz cantarolou o samba do agogô.
O trio se aconchegou em seu aposento
As marchinhas adormeceram em leito efêmero
E as serpentinas enroscaram à alma foliã.

Alguns deixaram as repressões de lado
Outros se permitiram ser de verdade
Ou firmaram o que costumeiramente são.
Alguns se entregaram ao prazer da carne
Outros pularam comedidos
Ou embriagaram as angústias revividas.

Da folia, tirou experiências
Descobriu semelhanças
E sentiu a igualdade entre todos.
Da folia, levarás a alegria
Talvez sentirás a frutificação em seu ventre
Ou herdarás do Momo algumas enfermidades.

O que você não pôde ser ou fazer...
Quem sabe no próximo serás ou farás
Porque alegria e fantasia são alimentos da carne
Desejos e veracidade são razões da alma
E tudo compõe a vida carnavalesca.

Por isso, você se permitiu viver
E mandar se danar a moral e os bons costumes
Sem pensar no sermão que viria da ressaca social.
Afinal, era carnaval.
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