Aniversariante do dia: Evandro Calafange de Andrade


Hoje é o dia do professor/escritor Evandro Calafange de Andrade. O poeta completa 33 anos de uma vida gloriosa. Muitos vivas para você, Evandro! E não poderíamos comemorar de outra forma senão com um dos seus textos:


Viver o (des)vivido

33 anos.
Tantos sonhos
Tantos desejos
Tanta esperança
Saudades revividas
Desejos reprimidos
Sorrisos esquecidos, fingidos
Tantas vozes abafadas
Tantos olhares perdidos
Solidão que aprisiona
Corpo que vive em chama
Virtudes rompidas
Pecados sufocados
Verdades ao vento
Mentiras engarrafadas
Tanto querer
Tanto amor
Tanta individualidade
Profissionalismo a flor da pele
Proatividade cansada
Amizades televisionadas
Coleguismos momentâneos
Tantos momentos não vividos
Tantos sexos rompidos
Tanto tesão envelhecido
O florescer das manhãs
Que nos leva a sofrer
Alarme que nos desperta
Corpo, alma, vida,
Eternidade bela adormecida
Tantos gostos amargos
Tanto fel adocicado
Tantos carinhos jamais sentidos
Tantos anos não revividos
Saber que não nos conduz
Caminhos que nos desviam
Majestade que nos engessa
Dor que nos corrói
Alma que nos cura
Todas as decepções
Toda a vida
Todos os anos escritos
Todas a linhas pontilhadas
Todos os rabiscos amassados
Todo o conhecimento que nos eleva aos Alpes
Sem amor
Sem nada
Sem paz
Sem fraternidade
Sem filiações
Sem pretérito perfeito
Talvez futuro do presente, pretérito
Desse nada, alastra-se
Sem vergonha da exposição
Contrapartida, de contrapartida
Maginar o imaginário
Assim, vai-se (in)feliz
Contente, descontente
Razão! Face ou fase onde o mundo passa
Tanto, tanto
Adeus? Sabe-se ser!
Tenta-se ser!
Tem-me ser!
Tanto, quão tanto
É essa (des)vontade
Portanto, sigo-me em frente:
Viver o (des)vivido.

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