Crônica frustada, de Evandro Calafange

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Crônica frustada

Chegamos, caro leitor, ao recinto que acho que não queríamos estar. No entanto, aqui estamos. Há uma lousa, apagador azul com dois marcadores em seu compartimento interno, um azul e outro preto. E eles? Eles estão acessando a web pelo smartfone, tuitando ou navegando nas páginas azuis do facebook. Passeiam por esse ambiente cercado de paredes com janelas de vidros fechadas, porta de madeira pintada de azul, também fechada, desfrutando de uma climatização agradável. Será que é uma praça de alimentação...? Tenho uma profunda certeza que não.
Se me viram adentrar a esse... sei lá! o quê tanto quanto “impróprio” para a sabedoria viril e sã? Acho que não. Talvez só irão me ver se eu impor o meu vozeirão. Que em seguida servirá de arma contra a minha singela pessoa, que só deseja trabalhar. Falando nisso, quanto tempo faz que não sei o que é isso. Acho que vou pesquisar no pai Google o significado do vocábulo TRABALHO.
Sim! Caçoarão-me sem dó e piedade. Afinal, que figura sou eu aqui nesse ambiente de tanta tecnologia e de pouca educação, moral e cívica. Talvez um Zé Ninguém depois de um João Também Ninguém.
E, logo, fazem-me rir. Aquela risada tão acanalhada como eles são em bando, no meio da rua, na parada de ônibus, dentro do transporte público, na praça, no shopping e até na sala de aula. Quando os “sábios” arrotam que são o futuro da nação. Agora, meu fiel e bondoso leitor, pergunto-te que nação é essa que nos reserva Dom Futuro Padrasto de uma Mãe De Uma Figa. Diga-me pelo amor dos internautas de plantão!
Pois é, e a educação onde fica? Vai-se saber! Se os genitores não são capazes de educá-los, quem sou eu para tamanha audácia. Sou apenas um professor. Até me chamam de transmissor de conteúdo, de mediador do conhecimento, de educador... Deu-me vontade é de rir. Posso afirmar? De todos, sou menos educador. Educador? Não, sou!? E o que sou? Se você tem inteligência suficiente para dar-me essa árdua e difícil resposta. Então, responda a essa frustante pergunta das minhas entranhas com afinco.

Evandro Calafange de Andrade

Natal, 24 de março de 2014
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