Lamentos de um exercício profissionalizante, de Evandro Calafange de Andrade


Lamentos de um exercício profissionalizante

Quanto vale uma palavra sem reação e emoção? Quanto vale um profissional que deve educar? Quanto vale um olhar doce retribuído com um amargo? Quanto vale um sorriso carinhoso contradizendo um palavrão das entranhas de um cidadão? Quanto vale ser alguém ou quem sabe ninguém antes de um ninguém qualquer?
Dentre tantas perguntas se faz um homem angustiado de dores na alma e na moral daquele moral que ninguém sabe o seu significado ou sua diferenciação gramatical, semântica ou quem sabe sintática, bem mais ainda, estridente, morfossintática. Delírios meus, deixaremos para lá; vamos então voltar? De um homem que luta pela existência de uma decadência acadêmica. De um homem de mente sã, o qual se torna insano a cada dia de profissão desvalorizada. Mas a verdade é que o mundo não seria nada sem esse profissional.
Quanto vale a gratidão de um cidadão que ganha milhões. Esse que não reconhece os méritos daquele singelo profissional que lhe ensinou o que é o “letrar” de uma vida inteira.
Acordar às cinco, às seis da matina é um flagelo. Sair de casa para pegar uma condução é um tormento. Chegar ao trabalho é batalhar para ter o direito de exercer o ato de exercitar o conhecimento. Exercício profissionalizante que ninguém quer mais. O qual o demérito é um mérito desmerecido de ser um profissional. Talvez não seja nada com nada. Mas é a conturbação da minha alma que fala. Tente, então, entendê-la pelo menos uma vez. Respeite-a pelo menos essa vez.
Ao exercer a cantiga de roda, para agradar! Ao me despersonalizar no “palhaçar”, para agradar! Sendo um pop star, para agradar!  E quando tudo acaba no final do dia, você fica no vaco de uma ridícula atuação shakespeariana. Segundo estudiosos, nunca passou de uma farsa, um ser anônimo. Tão anônimo quanto eu sou. Se errado estou, não me jogue uma pedra. Afinal, quem nunca errou que grite aos setes cantos da Terra.
Mas, fui eu que quis assim. Fui eu quem escolheu essa vida. De concordância em concordância deverbal, verbal e nominal, se fez esse ser amargo, que regozija ser um desprezo de cidadão em uma profissão milenar. Do gozo que rogo ao me deitar.
E assim caminha a humanidade para a glória tripudiando em cima do educacional. Que país é esse que temos que nos envergar para médicos, juristas e políticos. Sim! Para esses profissionais. Afinal, no Brasil, rei e imperador aqui não vive mais. Só nós, caro educador. Longe de mim amigo, querer te desmotivar. Eu deixo para a vida se encarregar dessa atividade tão educadora quanto o teu B-A-BA tabelado na equação economista e Intertextualizado em quadro de giz.

Natal, 01 de julho de 2012.

Evandro Calafange de Andade
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