Envolvimento, poema de Evandro Calafange de Andrade (intertextualidade)


Envolvimento
                  Evandro Calafange de Andrade

Dois casais que vivem
Olhares que se cruzam,
Gemem, falam,
Olham e se abraçam.

Na cama são as entranhas
Que se amam no fugaz matrimonial,
Que no corpo percorre o corpóreo viril,
Sem ardor, sem pudor.

Pois, entre eles é só o amor.
Amor que arde sem se ver
Numa tentação envolvente
Que transborda na enchente
Tão vivente que grita,
Clama pelo amor que é verdade.

Pelos olhares dos anjos
E nos falares dos homens
Veem-se o doce prazer das águas.
Elas que batem sutilmente na mata,
Esta que rebate fortemente nas águas,
Que por sua vez retribuem as margens...

Tão forte é essa relação
Que o gozo do prazer
Sussurra, também, se expressa ofegantemente.
No término do enlace,
Que não se desenlaça.
Porque é só amor, o amor.
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