“A Escola e a Família: parceiros na construção de vínculos afetivos” de Marina S. Rodrigues Almeida.



Síntese do texto “A Escola e a Família: parceiros na construção de vínculos afetivos” de Marina S. Rodrigues Almeida.

By Evandro Calafange de Andrade

            A criança não nasce pronta, dentro dela vai se formando um casal de pais que são espelhados pelos pais reais que cuidam dela. Contudo criamos um lugar para essa criança e este lugar vai determinar qual o papel que esta terá na família. O que nos possibilita entendermos melhor nossos próprios pais, ou não, e quando isto acontece realmente não conseguimos nem parar para refletir o que estamos fazendo conosco e o que dirá com nossos filhos.
            Quando isto acontece, resolvemos nem pensar sobre o assunto. Então, o caminho mais fácil é sentirmos indiferentes a tudo, as nossas dificuldades, as nossas decepções, aos nossos ressentimentos que acreditamos não ter perdão, aos nossos sentimentos de culpa e assim por diante. A ideia de “o que vier é lucro” é boa para tirar de nossos ombros a responsabilidade do dia a dia e de como estamos educando nossos filhos.
            Entretanto, os pais mudaram, passaram por transformações sociais, políticos, cultural e principalmente, tecnológica. Por mais que essas mudanças tenham sido promovidas e desejadas por nós para propiciar uma vida mais confortável, estamos vivendo resultados indesejáveis. Com todas essas mudanças nós adultos estamos nos sentindo muito confusos, desorientados e atarefados com tantas transformações e conflitos para resolvermos. Ou seja, um adulto aflito, sem tempo, que só trabalha, anda nervoso, de mau humor, alguém desencantado da vida, ou seja, um chato, quando não é alguém, que não se deve confiar, porque é perigoso. Infelizmente é assim que muitas crianças e adolescentes estão vendo os adultos.
            Eles estão sendo geradas e criadas por adultos que estão com dificuldades de serem bons modelos de espelhos. Não estão conseguindo transmitir a ideia de que a vida vale a pena ser vivida e investir no trabalho honesto, digno, nos nossos sentimentos e sonhos, ter esperança no amanhã. Enquanto isto, as crianças e os adolescentes vão à escola e os professores verificam o tamanho da catástrofe. Além, obviamente de estarem passando pelo mesmo processo. As crianças estão chegando à escola, sem a estruturação básica necessária, que deveriam ter. Os adolescentes então se rebelam enfrentando e agredindo qualquer forma de autoridade, desrespeitam regras e leis, sem falar da agressão ao ambiente escolar.
            Portanto, os pais precisam saber é que todos nós temos nosso valor, por mais significante que isto possa parecer, porque estou falando de nossa autoestima e nosso autoconceito que anda muito desvalorizado pela rapidez dos acontecimentos. Entretanto, precisamos nos unir com alguém para discutirmos tanta coisa. E é aí que entra o papel da escola. Precisamos transformá-la em nossa aliada e não num depósito dos nossos problemas. Podemos solicitar que a escola crie cursos, oficinas, palestras com profissionais, que as reuniões de pais sirvam também para discutirmos temas polêmicos ou novidades da ciência, e não só o desempenho dos nossos filhos, ouvir reclamações, pedir a colaboração para APM etc.
            Ter consciência, também, que a violência está sendo gerada por vários fatores sociais, econômicos, culturais e emocionais sem dúvida, mas se perdemos a noção do que é ser tratado bem, com respeito, com diálogo, com humor, com amor, com ética, realmente só nos resta agir pela impulsividade, pela crueldade, pela vantagem, pela vingança... No entanto, sabe-se que o ser humano é o único animal que precisa aprender a canalizar sua agressividade de forma adequada e criativa. Os adolescentes questionam isto o tempo todo, porque estão carentes por seus pais reconhecerem que vale a pena ser honesto, digno, ter respeito etc... Sabe-se, também, que o ser humano guarda sempre dentro de si a emoção mais forte, portanto temos que ter cuidado ao repreendermos nossos filhos com castigos, gritos, ameaças, chantagens, surras, comparações, humilhações etc... A grossura deseduca porque fica a dor. Temos sempre que começarmos por nós mesmos questionando porque estamos agindo assim, porque estamos perdendo a autoridade, porque estou cedendo tanto, geralmente encontramos as respostas em nós mesmos, às vezes temos filhos difíceis, porém “é o maior que cuida do menor”.
            Em suma, qualquer um sempre tem algo para dividir, ensinar, compartilhar, precisamos aprender a conviver com a diversidade de valores, crenças, raças, e estamos aprendendo isto agora, esta é uma das vantagens do progresso, à necessidade de nos unirmos, de nos conscientizar que somos agentes de mudança e não mero espectador dos acontecimentos.
Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

RESENHA CRÍTICA DO DOCUMENTÁRIO - MILTON SANTOS: POR UMA OUTRA GLOBALIZAÇÃO

Ator Global de "Além do Horizonte" se assumiu mesmo?

O PROTAGONISMO E A PARTICIPAÇÃO INFANTIL NO CONTEXTO ESCOLAR