Crônica: A juventude Maldrasta, por Evandro Calafange


A juventude Maldrasta
By Evandro Calafange

No último dia do SEXO fui enxovalhado de expressões das tais: Feliz dia do SEXO; Parabéns pelo dia do SEXO etc. Por jovens que pegam uma avaliação de língua portuguesa e não sabem o que é um SUBSTANTIVO ou, simplesmente, diferenciar um ADJETIVO de um SUBSTANTIVADO. Mas, eles sabem muito bem qual é o dia para comemorar o objeto de desejo da molecada, falo do SEXO.
Objeto porque nos neurônios deles só existe essa palavra. Só querem praticar isso. Uma, duas, três vezes mais e muito mais com sei lá quem. Não importa saber com quem. Mas se esse alguém lhe satisfizer sexual, é o que importa.
Então, como um Mestre que cada dia tira aproveito das situações do dia a dia da sala de aula. Resolvi que iria abordar temas bem “cabeludo” sobre o universo jovem nas produções de notícias nas aulas de Língua Portuguesa. E não foi surpresa para mim a reação de alguns componentes e de todos os compositores do grupo. Pois o interesse pelas temáticas Drogas, Sexualidade, Opção sexual, Prostituição sexual etc.; foram “curtidas” pela maioria dos componentes dos grupos.
Falar destas temáticas para eles é como falar em futebol, comida, show, um novo filme, não o de Harry Potter, pois a saga já chegou ao fim meses atrás. Mas um filme bom que esteja em cartaz no cinema. Entretanto, o que mais me chocou, não foi nada disso. Foram os próprios telejornais; o que eram anunciados, noticiado. Cada notícia lida e assistida sobre essa juventude maldrasta são um tormento para um adulto consciente de todos os males que o universo juvenil está envolto.
E indignado, comentei com uma aluna que tem por volta de 14 para 16 anos, sobre essa onda de violência que está assombrando o mundo que ela vive e que eu vivo, é claro. E o impressionante é que ela nem sequer teve uma reação de indignação ou não. Simplesmente, sorriu como se rir de uma péssima piada contada por um péssimo humorista ou um falso profissional dessa área.
Agora, a minha mente estacionou. Depois de relembrar desse enfadonho episódio; não consigo escrever mais nada. A minha confusão mental é imensa, está imersa as indignações e as alusões de um dia pleno. Não consigo refletir nenhuma palavra se não for palavras de baixo calão. Só assim para expressão tanta indignação, mais uma vez a mesma palavra, mas foi preciso claro leitor; por essa juventude tão insana. Eles são, roubando um pouco os direitos autorais de Gilberto Braga e Ricardo Linhares, os verdadeiros insensatos corações. Os Léos da vida real. E como se diz os clichês: A vida imita a arte e a arte imita a vida. E vamos presenciando esse mundo de horror e de insanidade mental desses jovens tão viris. Porém, para nada serve essa virilidade toda.
Qual será a visão de futuro dessas criaturas? Que só pensam em baladas, bebidas e muita droga na Neura. Coitada da dona Neura. Que tem que aturar essa neurose toda dessa juventude sem perspectiva de futuro. E aproveitando o gancho na nova trama das 18h da Rede Globo: A vida da gente é uma só. Se você não tem uma trama cheia de vida para vivenciar; você, rapaziada, não tem nada. Simplesmente, umas e outras baforadas, umas tragadas no cigarro comunitário; uma guinada na veia e uma cheirada sem perfume de seu ninguém. A cheirada na dama de branco que te consome e te rouba à vida. E você não passa de uma pedra de CRACK: fria, dura, barata e agonizante por companhia...
Eu quero o amanhã cheio de realização de sonhos sonhados acordados. Eu quero uma trama cheia de vida. Para um dia parar e pensar: você eu vivi e continuo vivendo. De ti quero o melhor. De ti quero o mais simples. O mais singelo que você possa me oferecer. Mais seja prazeroso e duradouro como a bela vida tem que ser. E que os males não saiam da tela do cinema e da tevê. E que da vida eu possa levar os belos frutos da alvorada daquele campo límpido e resplandecente de beleza onde eu vivi sozinho ou em companhias gentis.
A ti vida, eu faço homenagem nesse dia tão saudosista pela humanidade a fora. Por vidas que o terrorismo afanou. Que numa jogada de tirania apagou os reluzentes olhares de seres viventes.   
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