Mais um fracasso das 19h da Rede Globo


















Ale Rocha

Por Ale Rocha . 06.05.11 - 17h25

Carrasco da própria novela

A Globo tenta o impossível: salvar “Morde & Assopra” do fiasco. Logo na semana de estreia da novela, escrevi por aqui que estávamos diante do primeiro fracasso de Walcyr Carrasco no horário das sete. Continuo com a mesma opinião.
Em nova fase desde segunda-feira (2), “Morde & Assopra” tenta diminuir a rejeição junto aos telespectadores. A novela tem registrado cerca de 25 pontos no Ibope. Após a realização de grupos de discussão, a androide vivida por Flávia Alessandra saiu de cena. Em seu lugar entrou sua versão em carne e osso, em um retorno totalmente sem pé, nem cabeça.
Personagens sumirão aos poucos. Eram cerca de 80 na estreia de “Morde & Assopra”. Ana Rosa e Tarcísio Filho serão os primeiros a deixar a trama. Outros também vão perder o emprego.
Apesar das pesquisas com fósseis permanecerem, os sonhos de Júlia (Adriana Esteves) com dinossauros desaparecerão. Salutar, pois não são nada convincentes. Como tolerar efeitos de computação gráfica tão toscos 20 anos após “Jurassic Park” – filme, aliás, reprisado à exaustão pela Globo?
Segundo informação da “Folha de S.Paulo”, os grupos de discussão sobre “Morde & Assopra” aprovaram apenas Elizabeth Savalla, Ary Fontoura e Cássia Kiss. Não me surpreende. Os veteranos se esforçam para interpretar um texto muito ruim e recheado de situações já vistas em outras novelas do autor.


Walcyr Carrasco sofre precocemente o mal que atinge outros autores mais experientes, como Gilberto Braga e Aguinaldo Silva. Está relapso, repetindo elementos de sucesso de suas tramas anteriores (“O Cravo e a Rosa”, “Chocolate com Pimenta, “Alma Gêmea” e “Caras & Bocas”).
As cenas de pastelão não convencem. O núcleo caipira, que deveria ser o momento mais divertido da trama, causa constrangimento.
A preguiça não se limita a repetição de situações e a trama inverossímil com dinossauros e robôs. Nem mesmo aos efeitos de computação gráfica sofríveis. Atores antes elogiados parecem indispostos a trabalhar com um mínimo de empenho. Mateus Solano, Caio Blat, Ary França e Cristina Mutarelli, só para citar alguns que são comprovadamente profissionais talentosos, estão irreconhecíveis.
O elenco jovem é uma catástrofe. Um exemplo é Klebber Toledo, que vive o golpista Guilherme, filho de Dulce (Cássia Kiss). Ele não tem a menor condição de interpretar um papel de destaque. É craque nas técnicas Kayky Brito e Jonatas Faro de incapacidade de transmissão de emoção ao público.
O temor da Globo com o fracasso de “Morde & Assopra” é enorme. Nos corredores da emissora, há quem compare a trama com “Tempos Modernos”, recente tragédia no Ibope. Miguel Falabella já prepara a próxima novela das sete e “Morde & Assopra” corre o risco de ser encurtada em um mês.
Walcyr Carrasco deveria observar o trabalho das colegas Duca Rachid e Thelma Guedes em “Cordel Encantado”. A trama repete elementos clássicos da teledramaturgia, como o triângulo amoroso, os violões incorrigíveis e os personagens cômicos. Porém, há todo um cuidado no texto e na produção que nos dá a sensação de estarmos diante de algo novo e revolucionário. Não, não é. É o feijão com arroz, mas muito bem feito.

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